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Intenção Missionária

Uma Igreja que acolhe também cuida da saúde mental

Rezemos para que a pastoral da saúde mental seja fortalecida em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação.

Por Isaac Oboya  

Nem sempre é fácil perceber quando alguém está sofrendo. Há pessoas que continuam trabalhando, estudando e participando da comunidade, mas que, no silêncio, enfrentam tristeza, medo ou solidão. Algumas conseguem falar sobre aquilo que sentem; outras guardam tudo para si, por receio de serem julgadas ou de não encontrarem compreensão. Essa realidade convida-nos a olhar com mais atenção para as pessoas que estão ao nosso redor e a reconhecer que o cuidado com a saúde mental também faz parte da missão da Igreja.

A intenção missionária de oração para o mês de outubro convidou-nos a rezar para que a pastoral da saúde mental seja fortalecida em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação. Esse pedido diz respeito também à maneira como nossas comunidades compreendem, acolhem e acompanham quem passa por essas dificuldades. Antes de oferecer respostas, precisamos aprender a escutar. Antes de julgar, precisamos procurar compreender. E, antes de nos afastarmos de alguém que sofre, somos chamados a nos aproximar.

Em muitos ambientes, falar sobre saúde mental ainda é motivo de vergonha. Algumas pessoas escutam que precisam ser mais fortes ou que basta ter fé para superar todas as dificuldades. Embora essas palavras possam nascer de uma boa intenção, nem sempre ajudam quem está sofrendo. A fé é uma fonte de esperança e força, mas não deve ser usada para diminuir a dor de ninguém. Quem enfrenta dificuldades de saúde mental precisa de acolhimento, compreensão e, quando necessário, acompanhamento profissional.

O Evangelho mostra que Jesus não permanecia indiferente diante do sofrimento humano. Ele se aproximava das pessoas, escutava seus pedidos e reconhecia a dignidade daqueles que eram desprezados pela sociedade. Seu modo de agir revela que o amor de Deus não se limita às pessoas que parecem fortes ou conseguem resolver sozinhas os seus problemas. Como discípulos missionários, somos chamados a seguir esse caminho, reconhecendo o sofrimento que existe ao nosso redor e respondendo com gestos concretos de caridade.

A Igreja pode contribuir muito para essa mudança. As paróquias, comunidades religiosas, grupos de jovens e pastorais são espaços onde as pessoas podem encontrar apoio e construir relações de confiança. Para que isso aconteça, é necessário acolher sem discriminar. Uma pessoa que partilha uma dificuldade não deve ser motivo de comentários ou julgamentos. Ela precisa encontrar alguém que saiba escutar com respeito e ajudá-la a procurar o acompanhamento adequado. Fortalecer a pastoral da saúde mental significa também promover a formação das comunidades e criar caminhos de acompanhamento para quem precisa de ajuda.

Essa missão começa nas relações mais próximas. Dentro das famílias e das comunidades religiosas, existem pessoas que precisam de mais atenção. Às vezes, estamos tão ocupados com nossas atividades que não percebemos o silêncio de alguém ou a mudança de comportamento de um irmão. Aprender a cuidar significa também reservar tempo para o outro. Uma conversa, uma visita ou uma pergunta sincera podem abrir espaço para que alguém encontre coragem para partilhar aquilo que carrega.

Para os missionários da Consolata, essa preocupação faz parte do compromisso de anunciar o Evangelho e de estar próximos das pessoas, especialmente daquelas que vivem situações de fragilidade. A missão não consiste somente em levar a mensagem cristã a lugares distantes, mas também em construir relações que tornem visível a presença de Deus na vida cotidiana. Inspirados por São José Allamano, somos convidados a viver a caridade como uma atitude concreta, reconhecendo as necessidades dos outros e caminhando com eles, respeitando suas histórias e seus limites.

Cuidar da saúde mental não significa que precisamos resolver todos os problemas das pessoas. Nem sempre teremos as palavras certas, mas podemos evitar o julgamento, oferecer nossa presença e ajudar a pessoa a encontrar os recursos necessários. A oração, o acompanhamento pastoral e a ajuda de profissionais de saúde podem caminhar juntos, contribuindo para o cuidado integral da pessoa.

Rezamos pela pastoral da saúde mental, mas também somos chamados a rever nossas atitudes e a maneira como tratamos quem enfrenta dificuldades. Não basta desejar que as pessoas encontrem acolhimento, precisamos ajudar a construir comunidades onde esse acolhimento seja real.

Que Nossa Senhora Consolata nos ajude a desenvolver um coração atento ao sofrimento dos outros. Que o exemplo de São José Allamano nos inspire a viver uma caridade que se manifesta nas pequenas atitudes de cada dia. E que nossas comunidades sejam lugares onde ninguém tenha medo de falar sobre suas dificuldades ou procurar ajuda. Quando a Igreja acolhe sem julgar e acompanha sem discriminar, a consolação de Deus torna-se presente na vida daqueles que mais precisam de esperança.

Isaac Oboya é seminarista da Consolata, São Paulo, SP.

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