Casa Bom Samaritano acolhe 65 venezuelanos no DF
Fotos: CNBB
Novo grupo de famílias inicia processo de interiorização com foco em emprego e autonomia em Brasília
Um novo grupo de 65 migrantes venezuelanos começou a reconstruir a vida no Distrito Federal após ser recebido na Casa Bom Samaritano, espaço de acolhimento humanitário que atua como ponte entre a chegada ao Brasil e a inserção definitiva na sociedade. Formado por 13 famílias, o grupo passa agora por um período de adaptação que combina apoio social, qualificação e encaminhamento ao mercado de trabalho.
Instalada em imóvel cedido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Casa tem capacidade para até 94 pessoas e funciona em sistema rotativo. O local recebe migrantes e refugiados interiorizados a partir de Boa Vista (RR), oferecendo moradia temporária e acompanhamento técnico por até três meses — tempo considerado estratégico para organizar documentos, buscar emprego e estruturar os primeiros passos da nova etapa no país.

Integração pelo trabalho e fortalecimento da autoestima
Mais do que oferecer abrigo, a proposta do acolhimento é promover autonomia. Durante os 90 dias de permanência, as famílias participam de atividades voltadas à inserção laboral, qualificação profissional, acesso a serviços públicos, fortalecimento emocional e integração comunitária. Crianças, mulheres e adultos são acompanhados de forma específica, respeitando as necessidades de cada perfil.
A metodologia aplicada inclui a cogestão do espaço, envolvendo os próprios acolhidos na organização das rotinas da casa. Inspirada na prática Migrante Ajudando Migrante, a dinâmica busca estimular responsabilidade compartilhada, convivência e protagonismo.
O diálogo com empresas do Distrito Federal também faz parte da estratégia. Supermercados, restaurantes, hotéis e empresas da construção civil estão entre os setores que mais absorvem trabalhadores interiorizados, especialmente na área de serviços.
Rede de cooperação humanitária
A iniciativa integra o projeto Acolhidos por meio do trabalho, implementado pela AVSI Brasil em parceria com o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), das Irmãs Scalabrinianas, com financiamento da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). A ação faz parte da Operação Acolhida, força-tarefa coordenada pelo Governo Federal para responder à crise migratória venezuelana.
Presente em diferentes estados do país, a AVSI Brasil desenvolve projetos voltados à promoção da dignidade humana e à inclusão socioeconômica. No contexto da migração venezuelana, a organização aposta na geração de renda e na inserção formal no mercado de trabalho como caminhos para que as famílias possam construir estabilidade e perspectivas de futuro no Brasil.
Fontes: AVSI Brasil, Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)