CIMI apresenta relatório sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil em 2025

10 de agosto de 2026

 

Publicação reúne dados sobre violações de direitos, conflitos territoriais, violência contra indígenas e omissões do poder público

Por Redação

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apresenta, no dia 13 de agosto, o Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, publicação que, anualmente, reúne e sistematiza informações sobre as principais formas de violência enfrentadas pelos povos originários no país. O lançamento acontecerá às 14h30, no auditório Dom Helder Câmara, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), com transmissão ao vivo pelo canal do CIMI no YouTube.

Ligado à missão da Igreja Católica junto aos povos indígenas, o CIMI acompanha há décadas as comunidades originárias e denuncia situações que ameaçam seus territórios, suas culturas, seus modos de vida e seus direitos fundamentais. O relatório é uma das principais iniciativas da entidade para dar visibilidade a essas realidades e contribuir para a defesa dos direitos indígenas.

Violência em diferentes dimensões

A edição referente a 2025 organiza as informações em 19 categorias de análise, distribuídas em três grandes áreas: violência contra o patrimônio indígena, violência contra a pessoa e violência por omissão.

Entre os registros relacionados ao patrimônio estão os conflitos pela terra, as invasões de territórios indígenas, a exploração ilegal de recursos naturais, os danos causados aos bens das comunidades e a demora nos processos de reconhecimento e regularização das terras.

A violência contra a pessoa reúne informações sobre assassinatos, agressões e ameaças sofridas por indígenas. Já o capítulo dedicado às omissões do poder público apresenta situações relacionadas à falta ou insuficiência de assistência nas áreas de saúde e educação, além de dados sobre mortalidade infantil e suicídios entre os povos indígenas.

Para elaborar o levantamento, o CIMI utiliza informações provenientes de diferentes fontes. As equipes regionais da entidade acompanham as comunidades e reúnem dados junto aos próprios povos indígenas, órgãos públicos e meios de comunicação. Também são considerados registros oficiais da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e de secretarias estaduais de saúde.

Direitos territoriais continuam ameaçados

Um dos principais pontos destacados pelo relatório é a permanência das ameaças aos direitos territoriais indígenas. Segundo o Cimi, durante 2025, medidas legislativas e decisões judiciais continuaram a produzir impactos sobre direitos assegurados pela Constituição Federal.

Nesse contexto, permanece em vigor a Lei nº 14.701/2023, relacionada ao chamado Marco Temporal, cuja aplicação é contestada por organizações e povos indígenas. Para o Cimi, a legislação contribui para aprofundar a insegurança vivida por comunidades que lutam pelo reconhecimento e pela proteção de seus territórios.

Mesmo nas terras indígenas já demarcadas, o problema das invasões permanece. Atividades ilegais, como o garimpo e a exploração de recursos naturais, continuam ameaçando comunidades e provocando impactos ambientais e sociais. As ações de desintrusão realizadas pelo poder público, embora importantes, não eliminaram completamente a presença e a atuação de invasores.

O garimpo e a ameaça aos territórios

A situação da Terra Indígena Sararé, no Mato Grosso, é utilizada pelo CIMI como símbolo da persistência e do agravamento das ameaças provocadas pelo garimpo ilegal.

A presença da Sararé no relatório também estabelece uma ligação com a história da própria publicação. Em 1996, uma imagem de uma enorme área devastada pelo garimpo em território dos Nambikwara estampava a capa do relatório. Quase três décadas depois, a Terra Indígena Sararé volta a ocupar lugar de destaque para denunciar a intensificação da atividade garimpeira.

A destruição provocada pelo garimpo ultrapassa a dimensão ambiental. A contaminação dos rios e dos solos, a degradação das florestas, a pressão sobre as comunidades e a presença de grupos criminosos atingem diretamente a vida dos povos indígenas e comprometem a proteção de seus territórios.

Povos em isolamento também estão ameaçados

A nova edição do relatório também dedica atenção aos povos indígenas em isolamento voluntário, grupos que optaram por manter distância da sociedade envolvente e que, por sua extrema vulnerabilidade, necessitam de políticas específicas de proteção.

A invasão de territórios, o avanço de atividades econômicas ilegais e a degradação ambiental representam riscos particularmente graves para esses povos. A proteção de seus territórios é, portanto, uma medida fundamental para garantir sua sobrevivência física e cultural.

Além dos dados estatísticos e dos registros de violência, a publicação traz artigos e análises sobre temas relacionados à realidade indígena brasileira. Entre eles estão o racismo contra os povos originários, a política indigenista, os direitos indígenas no sistema de justiça criminal e a busca por justiça, memória e verdade.

Uma missão em defesa da vida

A atuação do CIMI está inserida na caminhada da Igreja Católica ao lado dos povos indígenas. Desde sua criação, o organismo tem procurado contribuir para que as comunidades originárias sejam reconhecidas em sua dignidade, autonomia, diversidade cultural e direito aos seus territórios.

Para a Igreja, a defesa dos povos indígenas está diretamente relacionada à defesa da vida e da dignidade humana. Escutar suas comunidades, denunciar as situações de violência e apoiar a construção de relações mais justas fazem parte de uma missão que busca colocar no centro aqueles que frequentemente permanecem invisíveis aos olhos da sociedade.

A apresentação do relatório pretende, assim, não apenas divulgar números, mas provocar reflexão e compromisso. Por trás de cada registro de assassinato, ameaça, invasão territorial ou ausência de atendimento público existem pessoas, famílias e comunidades que lutam para preservar sua vida, sua cultura e sua relação ancestral com a terra.

O lançamento contará com a participação de lideranças indígenas, representantes da CNBB, do CIMI e de organizações parceiras, além de Roberto Antonio Liebgott, um dos organizadores da publicação.

Com informações do CIMI, Conselho Indigenista Missionário

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