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Juventude

É possível viver a santidade hoje?

Encontro vocacional com jovens discute e aprofunda o tema da santidade.

Por Isaac Oboya

No contexto do mês vocacional de agosto, realizamos, no Seminário Teológico Internacional João Batista Bisio, em São Paulo, dos Missionários da Consolata, um encontro com os jovens, no dia 8, tendo como ponto de partida uma pergunta simples, mas muito significativa: “É possível viver a santidade hoje?” O encontro nasceu do desejo de ajudar os jovens a perceber que toda vocação cristã é também um chamado à santidade e que Deus continua chamando cada pessoa a descobrir e assumir sua missão na vida.

Mais do que buscar uma resposta teórica, o encontro procurou ajudar cada participante a perceber que a santidade não é algo distante, reservado a pessoas extraordinárias ou pertencente apenas ao passado. Ela pode ser vivida por cada um de nós, dentro da realidade concreta de hoje.

A reflexão começou a partir da compreensão bíblica de que santidade é participar da vida de Deus e viver de acordo com a sua vontade. Conversamos sobre como a santidade não significa ausência de dificuldades, fraquezas ou limitações. Trata-se, antes, de uma vida transformada pela graça, configurada a Cristo e orientada pelo Espírito Santo.

Ao olhar para o Novo Testamento, recordamos que Jesus é a plenitude da santidade. Ele revela o rosto do Pai e chama seus discípulos a uma vida nova: “Sede perfeitos, como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Esse chamado nos fez perceber que a santidade não é privilégio de alguns, mas uma vocação que alcança todos os cristãos.

Também refletimos sobre a ação da graça de Deus. A santidade é, primeiramente, dom de Deus e obra do Espírito Santo. Entretanto, esse dom pede uma resposta. A graça é gratuita, mas Deus espera de nós uma resposta livre e concreta da fé, conversão e perseverança. Por isso, o caminho da santidade envolve também nossas escolhas e nossa disposição diária para deixar Deus transformar nossa vida.

A conversa foi se aproximando, então, da realidade dos próprios jovens. Percebemos que a santidade pode ser encontrada nas pequenas coisas: no modo como tratamos as pessoas, na capacidade de perdoar, na solidariedade, no serviço, na responsabilidade, na superação do egoísmo e na escolha do bem mesmo diante das dificuldades. A santidade não precisa esperar por grandes acontecimentos; ela começa muitas vezes em pequenos gestos realizados com amor.

Para tornar a reflexão mais participativa, os jovens foram convidados a realizar dinâmicas criativas, nas quais puderam expressar aquilo que haviam compreendido. A participação e a espontaneidade demonstraram que o tema havia sido assimilado. Nas atividades, eles conseguiram relacionar a santidade com situações concretas de sua própria vida, mostrando que compreenderam que ser santo não significa ser perfeito, mas permitir que Deus transforme nossa maneira de viver.

Ao longo do encontro, também recordamos alguns testemunhos que ajudam a tornar esse chamado mais próximo: São Carlo Acutis, Beata Chiara Luce Badano, Santa Teresinha do Menino Jesus e Santo Antônio de Santana Galvão. Cada um, dentro de sua realidade e de sua vocação, mostrou que existem diferentes caminhos para responder ao amor de Deus. Seus testemunhos ajudaram os jovens a perceber que a santidade também pode ser vivida na juventude e nas situações ordinárias da vida.

Outro ponto importante da reflexão foi a comunidade como caminho de santidade. Ninguém caminha sozinho. É na convivência que aprendemos a amar, perdoar, escutar, servir e acolher. As diferenças e dificuldades presentes na vida comunitária não precisam ser obstáculos; podem tornar-se oportunidades concretas para crescer no amor e viver o Evangelho.

Dentro da perspectiva missionária, dedicamos também um espaço para São José Allamano, reconhecendo nele um modelo de santidade ligada à missão. Sua vida recorda que o encontro com Deus não nos fecha em nós mesmos. Pelo contrário, quanto mais profundamente nos deixamos transformar por Deus, mais somos chamados a sair de nós mesmos, servir e colocar nossa vida à disposição da missão.

Por acontecer no Mês Vocacional, o encontro também nos levou a compreender que falar de santidade é falar de vocação. Deus chama cada pessoa de maneira particular, e descobrir a própria vocação significa também descobrir como somos convidados a colocar nossa vida a serviço de Deus e dos outros. A santidade não está separada da vocação; ela é o horizonte para o qual toda vocação cristã é chamada.

Ao final do encontro, a pergunta inicial ganhou um novo significado. É possível viver a santidade hoje? Sim. Não porque sejamos perfeitos ou porque não tenhamos dificuldades, mas porque Deus continua oferecendo sua graça e chamando cada pessoa a uma resposta de amor.

O encontro deixou aos jovens um convite simples e concreto: começar hoje, nas pequenas escolhas, nos relacionamentos, na comunidade, no serviço e na missão. Afinal, a santidade não começa necessariamente com grandes feitos. Muitas vezes, começa quando uma pessoa decide, no cotidiano, deixar-se conduzir por Cristo e pelo Espírito Santo.

Assim, entre reflexão, partilha, criatividade e convivência, fomos descobrindo juntos que a santidade não é apenas um ideal para admirar nos santos; é um caminho possível para viver hoje e uma resposta concreta ao chamado de Deus para cada vocação.

Isaac Oboya, imc, é seminarista da Consolata.

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