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Intenção Missionária

Onde há água, a vida floresce…

A intenção missionária de setembro foi baseada no cuidado com a água. Rezamos por uma gestão justa e sustentável da água, para que esse recurso vital seja acessível a todos.

Por Isaac Oboya 

Há lugares onde abrir uma torneira e encontrar água é um gesto tão cotidiano que quase não percebemos o seu valor. A água disponível serve para beber, cozinhar, lavar, cultivar e cuidar dos animais. Em outras partes do mundo, porém, encontrar água pode significar percorrer longas distâncias, esperar horas ou depender das chuvas, que nem sempre chegam no tempo esperado. Somos convidados a voltar o nosso olhar para essa realidade. A intenção de oração do Papa para este mês nos convida a rezar pelo cuidado com a água, para que esse recurso vital seja administrado de maneira justa e sustentável e esteja ao alcance de todos. 

Na missão, essa intenção deixa de ser apenas uma reflexão e ganha rostos, nomes e histórias. Um exemplo concreto pode ser encontrado em Isiolo, no Quênia, uma região marcada pela aridez, pelas secas e pela irregularidade das chuvas. Ali, a água não é simplesmente um recurso entre tantos outros: ela está diretamente ligada à vida das comunidades. Em Chumviere, na região de Isiolo, os Missionários da Consolata realizaram um projeto de abastecimento de água. O poço, concluído no final de 2024 e colocado em funcionamento no início de 2025, chegou a uma profundidade de 68 metros, encontrando a primeira camada de água subterrânea aos 60 metros. No local foi instalada uma estação de água para atender à comunidade, com um sistema de bombeamento alimentado por 18 painéis solares. 

À primeira vista, pode parecer apenas a construção de um poço. Mas, quando olhamos mais de perto, percebemos que existe muito mais. Existe uma comunidade que passa a ter maior segurança no acesso à água. Existe tempo que pode ser utilizado para outras atividades. Existe a possibilidade de cuidar melhor da saúde, dos animais e das plantações. Existe, sobretudo, uma expressão concreta de dignidade. É justamente aí que podemos compreender uma dimensão importante da missão. Evangelizar é também estar próximo da vida concreta das pessoas. A missão não acontece somente quando se anuncia a Palavra, se celebra a Eucaristia ou se administra um sacramento. Ela também acontece quando a Igreja se coloca ao lado de uma comunidade que enfrenta uma necessidade fundamental e procura, junto com ela, caminhos para uma vida mais digna. A água nos ajuda a compreender isso de maneira muito simples. Quando alguém tem sede, não basta falar sobre a importância da água. É preciso ajudar a encontrar uma fonte. Quando uma comunidade enfrenta a falta de água, a presença missionária pode assumir formas muito concretas de solidariedade e cuidado.

O projeto de Chumviere também mostra como a missão pode unir cuidado com as pessoas e cuidado com a criação. O uso da energia solar para o funcionamento da bomba mostra que é possível buscar soluções que respondam às necessidades atuais sem deixar de pensar no futuro. A missão torna-se, assim, espaço de esperança e responsabilidade. A realidade de Isiolo não é um caso isolado. Os próprios projetos dos Missionários da Consolata mostram que o acesso à água continua sendo uma necessidade importante em diferentes comunidades. Em 2024, cerca de 16 mil pessoas tiveram acesso à água potável por meio de poços, cisternas e outros sistemas construídos ou administrados pelos missionários. 

No Brasil

Também no Brasil somos chamados a olhar para essa realidade. Embora as situações sejam diferentes, a questão da água continua presente: comunidades que sofrem com a falta de saneamento, rios contaminados, desperdício, períodos de seca e populações que ainda enfrentam dificuldades para ter acesso regular à água de qualidade. Cuidar da água, portanto, não é uma preocupação distante, própria de outro continente. É uma responsabilidade que atravessa fronteiras.

Para nós, como família missionária da Consolata, essa reflexão pode ganhar ainda mais profundidade. São José Allamano ensinava a olhar para a realidade e a responder às necessidades concretas das pessoas. A missão pede olhos atentos, coração disponível e disposição para transformar a realidade.

Talvez a pergunta deste mês seja simples: o que fazemos quando percebemos que alguém está com sede? A resposta missionária não pode permanecer apenas nas palavras. Ela precisa tornar-se presença, serviço, solidariedade e compromisso.

Em Chumviere, uma fonte de água passou a representar muito mais do que água. Representa a possibilidade de vida. E talvez seja justamente essa uma das imagens mais bonitas da missão: ajudar a fazer nascer fontes onde antes havia apenas sede.

No mês de setembro, ao rezarmos pelo cuidado com a água, fomos convidados não somente a pedir que todos tenham acesso a esse dom essencial, mas também a reconhecer nossa responsabilidade diante dele. Porque cuidar da água é cuidar da criação. Cuidar da criação é cuidar das pessoas. E cuidar da vida é também uma forma concreta de viver a missão.

Isaac Oboya, imc, é seminarista da Consolata.

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