Terra Sem Males dos Males da Terra
Novo livro do professor universitário Dirceu Benincá propõe reflexão sobre a dinâmica de construção e reconstrução da utopia que nos conecta com outros mundos sonhados.
Terra Sem Males dos Males da Terra é o título do novo livro de Dirceu Benincá e pretende ser uma reflexão sobre a dinâmica de construção e reconstrução permanente desta utopia que nos conecta com outros mundos sonhados. Busca colocar em sintonia a cosmovisão judaica sobre o paraíso (Gn 1 e 2) – o qual foi perdido, mas pode ser reconfigurado –, com a proposta do Reino de Deus, apresentada por Jesus de Nazaré. Igualmente, estabelece uma aproximação com o mito Guarani da Terra Sem Males (Yvy Marã E’Ỹ) e com o paradigma do Bem-viver, este nutrido pelos povos indígenas da região dos Andes.

A obra incorpora uma releitura de alguns aspectos da prática de Jesus em seu tempo histórico. Defende que a sua ação não se reduz ao plano social, econômico, político e cultural, mas passa necessariamente por essas instâncias. Sua proposta é o Reino de Deus, que se realiza no curso da história e a transcende. É realidade que se faz no aqui e agora, embora não de modo pronto e pleno. É gratuidade divina e compromisso humano. Um projeto com força para transformar o mundo, romper com todos os tipos de opressão, exclusão, injustiça e outras maldades.
Na introdução do livro Terra Sem Males dos Males da Terra, Benincá afirma: “Os tempos andam estranhos. Os ventos da globalização fragmentada e da modernidade líquida e vaporosa sopram sem cessar. Em confronto com a vida humana, estraçalham muitos sonhos e utopias. Trazem nuvens de instabilidade na economia, na política, na cultura e na religião. Ora produzem tempestades e inundações, outras vezes tornam o chão ressecado. Aridez de justiça social, de paz e democracia. Estiagem também feita de indiferença e individualismo. A empatia e a cooperação parecem ter-se encolhido, reduzindo as condições da possibilidade de uma nova sociedade”.
E prossegue: “Seguimos intensamente conectados à internet e inebriados pelas redes sociais; tontos de informações e pisoteados pela velocidade de acontecimentos catastróficos. A terra treme de vergonha das injustiças, da cultura do ódio, da intolerância étnico-racial, religiosa e política. O terrorismo e a guerra explodem aqui e acolá. Pandemia, eventos climáticos extremos, aumento de doenças mentais, degradação do solo, das águas doces e dos mares, extinção da biodiversidade etc. São diferentes expressões de uma mesma crise civilizatória. Pessoas e grupos vulneráveis sempre sofrem mais do que os demais. E a sociedade em geral passa a achar normal o repetitivo, só pelo fato de se repetir. Esqueceu-se do poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956) que advertiu: ‘Pedimos, por favor, não achem natural o que muito se repete!’”
O autor ainda acrescenta: “Além de proporcionar reflexões instigantes em torno de três visões de mundo com suas respectivas culturas, modos de crer, viver e almejar o futuro, o livro instiga para ações coletivas e inadiáveis do nosso tempo. Entre elas, a promoção da justiça socioeconômica e socioambiental, da democracia, da paz, do amor fraterno e da sustentabilidade planetária. Em comum, os sonhos da Terra Sem Males, do Reino de Deus e do Bem-Viver não se desmancham no ar e nem se deixam consumir pelo capitalismo ultraneoliberal. Permanecem como grandes ideais, carregados de mística, inquietações e desafios para o nosso agir na história e no mundo”.
Dirceu Benincá é graduado em Filosofia e Teologia; especialista em Comunicação Social; mestre e doutor em Ciências Sociais, com pós-doutorado em Educação. Professor na Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e no Mestrado em Ciências e Sustentabilidade da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Autor de diversos livros, capítulos de livros e artigos científicos. Entre os livros, citam-se: Em tempos de ebulição: leituras instáveis. Curitiba: CRV, 2023; Agroecologia e Educação do Campo: construindo novas territorialidades (Org.). Curitiba: CRV, 2023; Universidade e suas fronteiras (Org.). São Paulo: Outras Expressões, 2011; Energia & cidadania: a luta dos atingidos por barragens. São Paulo: Cortez, 2011; Em tempos de travessia: leituras do cotidiano. Passo Fundo: Ifibe, 2007; CEBs: nos trilhos da inclusão libertadora (em coautoria com Antonio Alves de Almeida). São Paulo: Paulus, 2006; Reciclando a (des)ordem do progresso. ARCAN – uma alternativa socioambiental. Passo Fundo: Ifibe: 2006.
Interessados em adquirir exemplares do livro, podem fazer seus pedidos por e-mail: dirceuben@gmail.com
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - IHU