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Formação Missionária

A Tenda do Encontro

Primeiro Capítulo das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil destaca que a Igreja é tenda aberta a todos.

Por Claudio Cobalchini

As novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) destacam em seu primeiro Capítulo, a Igreja como Tenda do Encontro. Orientados por este título, somos levados às nossas origens como povo eleito do Senhor. Assim voltamos à historia da salvação, fazendo memória da caminhada do povo de Deus da escravidão rumo à liberdade.

Para aquele povo, a tenda era o lugar do descanso depois de um dia de caminhada sob um sol escaldante no deserto, e um momento para fazer memória das motivações que levaram-no a empreender tal aventura. E a própria palavra “tenda” nos indica algo passageiro, transitório, porém, indispensável para quem busca alcançar seus objetivos. Ela nos ajuda a não afastar-nos daquela meta pela qual apostamos nossa vida.

A tenda, por ser por um tempo transitório e não demorado, não possui portas ou janelas. Quem desejar pode entrar e sair por todos lados… nem por isso, ela perde o sentido original: de ser a Tenda do Encontro. Ela acolhe a todos, estrangeiros, maltratados, feridos nos desertos existenciais, e se torna  proteção e lugar para renovar as forças e as esperanças.

 A Igreja é Tenda do Encontro aberta para todos. Ela por meio do anúncio do Evangelho, da profecia da caridade, em meio à indiferença, passa a ser a Tenda do Encontro com Jesus, abrigo seguro em meio às tempestades da vida.

Antigo Testamento

No Antigo Testamento, a tenda remete à experiência do livro do Êxodo, porque é habitação de quem caminha, do peregrino. Ela podia ser montada e desmontada rapidamente, pois quem caminha tem pressa de chegar, mesmo enfrentando os desafios do terreno, por vezes acidentado. Cabe portanto atenção para que seja proteção a todo o povo que  caminha por um mundo em constante mudança.

O profeta Isaías convida a alargar o espaço da tenda como sinal de acolhimento. Hoje para a Igreja assumir a imagem de uma tenda disposta a alargar seus espaços, é recordar a identidade do Povo de Deus peregrino, aberto à graça de Deus.

 O evangelista João nos diz que a Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós. É Ele mesmo a morada de Deus junto à humanidade. E assumindo a nossa humanidade, assume também nossas fragilidades para transfigurá-las  em vida plena. Ao “armar sua tenda” entre nós, ao assumir um corpo e oferecê-lo em sacrifício na cruz, Jesus Cristo se revela o único mediador entre Deus e a humanidade: o “lugar” do encontro.

Nascida da doação total de Jesus na cruz, a Igreja é seu Corpo vivo e presente na história, chamada também a ser tenda de Deus  e templo do Deus vivo. Aqueles que nela são acolhidos pelo sacramento do Batismo, são chamados a celebrar e viver a sua fé, e vocacionados a serem seus construtores e peregrinos. Esta tenda alarga seus espaços e propõe a todos os que não são batizados ou que se afastaram da Igreja, acolhida, enquanto os  acompanha na esperança do encontro com Jesus Cristo.

Habitar em tendas implica para alguns, desespero, vulnerabilidade, perigo e perseguição. Em certas situações, como para os moradores de rua,  são expressões de extrema indiferença. A  tenda nestes contextos, significa a condição de ser estrangeiro, rejeitado, estranho, descartado.  A Igreja no Brasil, tomando consciência que também é uma tenda de peregrinos para os peregrinos, deseja se aproximar destas situações. Não somente se aproximar, mas também entrar  nestas tendas improvisadas dos peregrinos, para ali fazer brilhar os sinais do Reino.

Que o testemunho apostólico de Paulo, um fabricante de tendas (At 18,3) que se tornou construtor de tendas-comunidades, inspire  a Igreja no Brasil a alargar as sua tendas, anunciando o Evangelho, iniciando à vida em Cristo, formando comunidades de discípulos missionários, celebrando a fé e cuidando da vida, cumprindo, assim, o mandato de Jesus: “Ide, pois, e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28,19)  

Claudio Cobalchini, imc, é pároco da Paróquia Nossa Senhora Consolata, São Paulo, SP.

Capa da Edição

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