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Eleições 2026 em defesa dos Direitos Humanos

Na hora de exercer a cidadania das urnas, torna-se necessário escolher deputados federais, senadores, governadores e presidente que efetivamente possam representar os sonhos, lutas e esperanças da população.

Por Alfredo J. Gonçalves

De uma forma ou de outra, todo processo eleitoral representa uma encruzilhada. Nela reside sempre um desafio de dupla face: ao mesmo tempo que vários horizontes se descortinam, faz-se necessário escolher determinada direção. Por isso os cidadãos são chamados às urnas para decidir os rumos do país. Ou melhor, escolhem seus representantes para que estes últimos tomem nas mãos as rédeas do destino. Assim funciona, ou deveria funcionar, o regime democrático. A encruzilhada, porém, desta vez adquire contornos mais contundentes, devido à polarização que se instalou no país.

Uma encruzilhada decisiva

De um lado, a extrema direita vem ganhando terreno nas mais distintas regiões do planeta. Com um discurso avesso a mudanças substanciais e através de práticas autoritárias, políticos não raro obtusos e obscuros travam um combate direto ou indireto contra os direitos humanos, os benefícios sociais e as migrações em geral. Com o pretexto da segurança nacional, tendem a reduzir o orçamento para a educação e a saúde, além de inibir o ensino superior e a pesquisa científica. Um novo nacionalismo caminha de mãos dadas com o negacionismo. 

Privatizações em massa, incentivo às armas e gastos vultosos com equipamentos bélicos costumam ser sua marca registrada. Tudo isso se encaixa na defesa de um neoliberalismo suspeito. Ou seja, mercado livre quando os lucros e a acumulação de capital andam de vento em popa. Mas quando os negócios privados entram em declínio, então sim, o Estado é chamado a intervir para salvar bancos, empresas e os grandes conglomerados que tomam conta das fatias mais rentáveis da produção e comercialização, tais como telecomunicações, agroindústria, energia, e assim por diante.

De outro lado, o olhar se volta com maior preocupação para as necessidades básicas da população, em especial as famílias de baixa renda. Neste caso, ganha primazia alguma forma de distribuição de renda, bem como o desenvolvimento de políticas públicas voltadas para as regiões e categorias mais carentes. Entra em disputa, assim, o controle dos cofres públicos. O orçamento secreto, por uma parte, e as emendas parlamentares, por outra, permitem que os parlamentares do “centrão” formem maioria para esse controle do orçamento. Disso decorre a necessidade urgente de mudanças radicais e profundas na política tributária, social e orçamentária.

Quando falamos em “centrão”, estamos nos referindo às oligarquias regionais que fazem de tudo para destinar as verbas da União no sentido de satisfazer seus interesses familiares, partidários ou corporativistas. Com isso, facilmente o Poder Executivo se torna refém do Legislativo, o que o impossibilita de um planejamento que possa favorecer projetos e programas populares. Aliás, isso é história do Brasil. Um olhar retrospectivo à economia do país logo se dará conta que, desde os chamados “ciclos econômicos” (açúcar, algodão, borracha, cacau, ouro, café), são essas oligarquias que imprimem sua mão de ferro na exploração das riquezas nacionais.

Os fantasmas da encruzilhada

Dois fantasmas rondam a encruzilhada eleitoral de outubro de 2026. Primeiramente, o Brasil continua sendo um fornecedor de bens primários para os países centrais. O tempo dos “ciclos econômicos” não terminou. Atualmente, o país segue exportando, por exemplo, minério de ferro, carne e grãos, petróleo e celulose, entre outros produtos. Em troca, importa bens manufaturados, às vezes com as matérias primas que saíram de suas terras. A exploração e exportação de tais commodities naturais enriquece não os trabalhadores locais e suas famílias, mas as empresas estrangeiras e, uma vez mais, as oligarquias locais/regionais. Ironia do destino: onde a terra é mais rica, o povo se torna mais pobre. A prosperidade do solo e subsolo produz a pobreza dos próprios moradores.

Um segundo fantasma das próximas eleições consiste num certo divórcio entre os eleitores e os candidatos. Este espectro é mais antigo, porém, cada vez vem se manifestando com maior evidência. A impressão é que, de pleito em pleito, cresce a distância entre os ocupantes do Planalto Central e os moradores da planície. Enquanto estes últimos, inertes e impotentes, assistem a uma crescente deterioração de seu poder aquisitivo, os primeiros, longe e indiferentes, parecem ignorar o que se passa na sociedade concreta. Debatem temas de seu interesse, mas parecem ignorar os problemas concretos do cotidiano.

A conclusão é que, na hora de exercer a cidadania das urnas, torna-se necessário escolher deputados federais, senadores, governadores e presidente que efetivamente possam representar os sonhos, lutas e esperanças da população brasileira, com destaque para os pobres ou empobrecidos. Daí a urgência de verificar a história e o currículo de cada candidato, sua proximidade ou afastamento com relação aos últimos e excluídos.

Alfredo J. Gonçalves, cs, é assessor do Serviço de Proteção ao Migrante (SPM), São Paulo, SP.

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