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Fé em Ação

Esgotamos todos os recursos naturais do planeta antecipadamente

Há uma lógica predatória própria do capitalismo devorador de recursos que nos faz conviver com a crise ambiental de agora.

Por Marcus Eduardo de Oliveira

Desde o último 30 de julho, nossa humanidade consumiu recursos naturais a uma velocidade 73% maior do que os ecossistemas conseguem regenerá-los.1 Isso significa dizer taxativamente que esgotamos todos os recursos biológicos que o planeta é capaz de regenerar num ano inteiro. Na verdade, vivemos como se tivéssemos 1,73 planetas à nossa disposição (Sobrecarga da Terra).2 

Essa sobrecarga ecológica que provocamos, desde que nos acomodamos à cultura consumista (a busca contínua de satisfação), responde pela degradação ecológica que debilita, por assim dizer, a saúde do planeta.

No curso desses eventos, promovemos um significativo desequilíbrio ambiental, e isso, claro, tem o pendor de gerar consequências desabonadoras para o sistema-vida, como desmatamento, erosão do solo, perda de biodiversidade, aumento nas emissões de gases de efeito estufa. 

Isso é tão grave, note-se, que a habitabilidade de regeneração do planeta3 está em risco. 

Nesse entorno, há uma lógica predatória própria do capitalismo devorador de recursos que, cabe a observação, nos faz conviver com a crise ambiental de agora. 

Nesse caso, o aumento da frequência dos fenômenos climáticos extremos e a redução da capacidade de produção alimentar, entre outros, anunciam que estamos conseguindo alterar as condições ecológicas do planeta. São abusos que nos levam a ultrapassar os limites do planeta.

Na conta desses abusos ecológicos, que impedem o equilíbrio ecológico, a constatação é uma só: estamos pouco a pouco esgotando “o capital natural da Terra”, conforme consta em comunicado oficial do Global Footprint Network,4 organização internacional responsável pelos cálculos da pegada ecológica da humanidade.

Agora, diante de incertezas em termos de Antropoceno, precisamos refletir seriamente sobre o impacto do nosso consumo no planeta. Mas também precisamos repensar nossas ações nas cidades, bem como a forma como usamos a energia e como produzimos os alimentos, e, no extremo, quais as possibilidades que temos para reduzir as emissões de carbono. 

Sendo franco, enquanto não mudarmos a tecnologia que cria coisas novas à base de destruir o planeta, tudo indica – e assim os especialistas confirmam - que seguiremos da forma como está: fingindo não acreditar que “nosso problema é o crescimento físico em um mundo finito”,5 como sentenciou tempos atrás Dennis Meadows, cientista americano. 

Por conjectura, me parece lícito argumentar – mesmo nas entrelinhas - que a cultura capitalista, inclinada a favorecer o crescimento como o único instrumento capaz de organizar a vida moderna, nos obriga a viver no mundo insustentável de agora. 

Não por acaso, no palco da humanidade, o modo capitalista (com potencial para colapsar o sistema terrestre) se levanta numa relação considerada destrutiva com o meio ambiente. 

Aliás, esse modo capitalista, como assinala Ladislau Dowbor, “não considera a descapitalização do planeta”,6 e, mais ainda, se mostra incompatível com os processos biológicos da natureza. 

Nesse caso, repetindo William Ripple e colegas, “grande parte da estrutura da vida na Terra está em perigo”.7

O detalhe mais relevante aqui, seguindo de perto a orientação dos especialistas, é que só sairemos desse buraco mediante uma radical intervenção, que necessariamente deve começar pela: 

  1. transição para fontes de energia renovável; 
  2. promoção da agricultura sustentável; 
  3. redução de desperdícios; 
  4. conscientização ecológica; 
  5. prática de consumo consciente.

Na verdade, o bom senso manda avisar que já passou da hora de inaugurarmos a “economia do conhecimento da natureza”,8 que, em bom tempo, Berta Becker [1930-2013] falava com propriedade. 

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental. Autor de A civilização em risco (Jaguatirica, 2024) e Quando ainda existiam árvores, em parceria com Dal Marcondes (no prelo). prof.marcuseduardo@bol.com.br
Notas:Conforme encontrado em: < https://fastcompanybrasil.com/impacto/dia-sobrecarga-terra-cheque-especial/>Para outros detalhes a respeito, sugerimos visitar o site: < https://footprintnetwork.org/>Consultar: < https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/estudo-da-nasa-aponta-risco-da-terra-se-tornar-inabitavel.phtml>Ver Nota 2.Consultar: < https://www.resilience.org/stories/2022-02-22/dennis-meadows-on-the-50th-anniversary-of-the-publication-of-the-limits-to-growth/>DOWBOR, Ladislau. Democracia econômica. Petrópolis. Vozes: 2008.Recolhido de: https://yaleclimateconnections.org/2024/10/the-planet-is-on-the-brink-of-an-irreversible-climate-disaster-scientists-warn/Recolhido de: < https://ihu.unisinos.br/entrevistas/33522-por-uma-economia-baseada-no-conhecimento-da-natureza-entrevista-especial-com-bertha-becker>

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