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Família Consolata

Fazer das pessoas cidadãos para que sejam cristãos

“Amar e tornar-se santo é a mesma coisa. Não é suficiente amarmos de qualquer modo, é necessário um amor superlativo”. (São José Allamano)

Por Sergio Frassetto

Na exortação apostólica Dilexit te, que o papa Leão XIV recebeu de seu antecessor, Francisco, propondo-a à Igreja Católica acrescentando algumas reflexões suas, o Pontífice reafirma a profunda relação que existe entre o amor de Cristo e o Seu convite a nos fazermos próximos dos pobres. O Papa insiste sobre este caminho de santificação, porque ao “chamado para reconhecê-Lo nos pobres e sofridos se revela o próprio coração de Cristo, os seus sentimentos e as suas escolhas mais profundas, às quais cada santo procura conformar-se”. 

Entre estes santos incluímos, certamente, São José Allamano que indicava a santidade como a principal meta na vida do missionário: “Nada é mais eficaz do que a caridade - assim escrevia. Na caridade consiste essencialmente a santidade. Amar e tornar-se santo é a mesma coisa. Não é suficiente amarmos de qualquer modo, é necessário um amor superlativo”.

O Papa Leão fala de toda espécie de pobreza, daquela econômica àquela educativa, dos doentes aos encarcerados, percorrendo todas as categorias mais frágeis da sociedade. Leão quer uma Igreja para os pobres e com os pobres. Por isso critica com força um sistema econômico opressivo, capaz somente de gerar desigualdade e pobreza, e exorta a reconhecer e desfazer as estruturas de injustiça “com a força do bem, através da mudança de mentalidade, mas também com o auxílio das ciências e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes para a transformação da sociedade”.

São José Allamano ensinava aos primeiros missionários e missionárias para alcançar este objetivo antes de tudo com a visita diária às pessoas nas casas das vilas; visitas que não deveriam reduzir-se a “simples passeios, mas a autênticos encontros”, nos quais tinham precedência os pobres, os doentes e aquelas aldeias mais necessitadas.

Uma das páginas mais belas da história do Instituto dos Missionários e Missionárias da Consolata foi escrita pela Santa Sé, no decreto de aprovação, de 28 de dezembro de 1909: “Característica destas missões é que os missionários não se limitam a introduzir a religião, administrar os sacramentos, recolher crianças abandonadas nas florestas, mas com o esplendor da fé levam a estes povos a luz da civilização, formando-os para a agricultura, para a criação de animais e o aprendizado das profissões mais necessárias”. Allamano comentava: “O decreto da Santa Sé para a aprovação do nosso Instituto, as afirmações da Propaganda Fide, as mesmas palavras do Papa declaram o método do nosso apostolado: “É necessário fazer dos povos originários pessoas capacitadas, para depois fazê-los cristãos.”

O Allamano recordava que Jesus, antes de nos redimir, “se pôs a trabalhar a madeira, na escola de José, e quando começou a pregar o Reino de Deus era um excelente carpinteiro que sabia usar os instrumentos da profissão”. Por isso o Fundador conduziu os seus missionários a um desenvolvimento baseado na elaboração da técnica de Cristo. Os seus missionários foram,  e são até agora, excelentes agricultores, organizadores de cooperativas, de escolas agrícolas e técnicas, sem esquecer de serem pregadores e batizadores. 

Sergio Frassetto, Revista Missioni, edição Agosto/Setembro 2026. Traduzido por Benildes Clara Capellotto, MC. 

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