Onde o encontro se torna missão
A Intenção Missionária pode nos ajudar justamente a ampliar esse horizonte. Cada mês traz uma realidade que merece nossa atenção e nos convida a não viver fechados em nossas próprias preocupações.
A Missão começa quando nos dispomos a encontrar o outro. Antes de anunciar, ensinar ou realizar grandes projetos, existe algo simples e essencial: estar presente, escutar e caminhar junto. A missão não acontece apenas em lugares distantes. Muitas vezes, ela começa bem perto, no encontro com alguém que precisa ser acolhido, compreendido ou simplesmente escutado.
Jesus viveu sua missão no meio das pessoas. Entrou em suas casas, sentou-se à mesa com elas, escutou suas histórias, acolheu suas dores e partilhou suas alegrias. Não construiu uma distância entre si e aqueles que encontrava. Pelo contrário, aproximou-se especialmente daqueles que muitas vezes eram deixados de lado. Seu modo de encontrar as pessoas já era uma forma de anunciar o Reino de Deus.
Hoje, essa atitude continua sendo necessária. Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada, mas nem sempre mais próxima. As redes sociais permitem conversar com pessoas que estão longe, enquanto, às vezes, não encontramos tempo para conversar com quem está ao nosso lado. Podemos conhecer muitas opiniões e, ao mesmo tempo, conhecer pouco a história de quem vive conosco. Por isso, a missão também passa pela capacidade de criar espaços de encontro. Um encontro verdadeiro não significa apenas estar no mesmo lugar. Significa estar disponível para o outro: olhar nos olhos, escutar sem pressa, respeitar diferenças e permitir que a história do outro também tenha lugar na nossa vida.
Essa necessidade aparece de maneira especial entre os jovens. Muitos procuram respostas para perguntas importantes: que caminho seguir? Que tipo de pessoa quero ser? O que realmente dá sentido à minha vida? Como viver a fé em uma sociedade que apresenta tantas propostas e valores diferentes? Quando encontram espaços onde podem falar livremente, ouvir outras experiências e refletir sobre suas escolhas, descobrem que essas perguntas não precisam ser enfrentadas sozinhos. É aí que a missão ganha um rosto concreto. Um grupo que se reúne, uma comunidade que acolhe, um formador que sabe escutar, uma família que acompanha seus jovens ou uma pessoa que oferece uma palavra de encorajamento podem tornar-se instrumentos de Deus. Nem sempre percebemos imediatamente os frutos desses encontros. Às vezes, uma palavra simples permanece no coração de alguém por muito tempo e, mais tarde, ajuda essa pessoa a tomar uma decisão importante.
São José Allamano, fundador dos Missionários da Consolata, compreendia a missão como uma experiência de proximidade. Para ele, o missionário deveria aprender a viver com as pessoas, conhecer sua realidade e aproximar-se delas com respeito e espírito de família. O anúncio do Evangelho não podia estar separado da vida concreta daqueles que eram encontrados. Essa visão é particularmente importante para nós hoje. Não podemos falar de missão sem falar de pessoas concretas. Existem comunidades que enfrentam dificuldades, famílias que carregam suas preocupações, migrantes que procuram um lugar onde possam recomeçar, idosos que experimentam a solidão, jovens que buscam direção e tantas pessoas que precisam encontrar alguém disposto a caminhar com elas.
A Intenção Missionária pode nos ajudar justamente a ampliar esse horizonte. Cada mês traz uma realidade que merece nossa atenção e nos convida a não viver fechados em nossas próprias preocupações. Ela nos recorda que a missão é universal e que as alegrias e os sofrimentos de outros povos também nos dizem respeito. Mas existe ainda outro aspecto importante: no encontro, não somos apenas aqueles que levam alguma coisa. Também somos convidados a receber. O missionário aprende com as pessoas que encontra. Aprende com suas culturas, sua fé, suas dificuldades e sua maneira de enfrentar a vida. A missão é, portanto, um caminho de mão dupla. Quem vai para anunciar também precisa estar disposto a escutar e a deixar-se evangelizar.
Foi assim que muitos missionários descobriram que as pessoas às quais foram enviados também tinham muito a ensinar. A missão transforma não somente aqueles que recebem o anúncio, mas também aqueles que são enviados. Como família da Consolata, somos chamados a cultivar uma presença que aproxima, acolhe e consola. A missão não acontece somente quando atravessamos fronteiras geográficas. Ela começa quando conseguimos atravessar as barreiras que criamos entre nós: preconceitos, indiferença, medo e falta de diálogo.
Talvez seja por isso que, antes de perguntarmos “para onde devo ir? ”, precisamos perguntar: “com quem Deus está me convidando a caminhar? ” A resposta pode estar muito mais perto do que imaginamos. Uma comunidade mais missionária começa quando as pessoas deixam de ser apenas rostos conhecidos e passam a ser histórias que queremos conhecer. Um jovem deixa de ser apenas alguém que participa de uma atividade e passa a ser alguém cuja vida merece ser acompanhada. Uma família deixa de ser apenas um nome na comunidade e passa a ser uma presença concreta, com suas alegrias, dificuldades e esperanças.
A missão é encontro porque Deus mesmo escolheu aproximar-se de nós. E quando aprendemos a encontrar o outro com respeito, escuta e amor, tornamo-nos, pouco a pouco, presença de Consolação. É nesse encontro cotidiano, muitas vezes simples e silencioso, que a missão começa a ganhar rosto.
Isaac Oboya, imc, é seminarista da Consolata.