Padre James Lengarin destaca a missão como expressão do amor de Deus

 

Superior-geral dos Missionários da Consolata celebrará o centenário do Dia Mundial das Missões na Etiópia, país que marcou os sonhos missionários de São José Allamano.

Por Redação

O padre James Bhola Lengarin, superior-geral dos Missionários da Consolata, celebrará o centenário do Dia Mundial das Missões (DMM), no próximo domingo, 18 de outubro, na Etiópia. A escolha tem significado especial para o Instituto, pois São José Allamano, seu fundador, desejava levar a missão evangelizadora ao país africano.

Em entrevista à Agência Fides, o religioso queniano destacou que a celebração representa uma oportunidade para agradecer pelo caminho percorrido, conhecer os desafios atuais e renovar o compromisso missionário. Para ele, os cem anos do DMM reforçam a compreensão de que toda a Igreja é missionária e cada batizado é chamado a participar da missão.

Padre Lengarin observa que a evangelização não se limita ao envio de missionários de um país para outro. Atualmente, as Igrejas compartilham dons, experiências e responsabilidades. A missão ad gentes, segundo ele, também significa sair das próprias certezas e aproximar-se de pessoas e realidades onde o Evangelho ainda não é conhecido ou deixou de ser percebido como boa notícia.

Entre as atuais periferias missionárias, o superior-geral cita regiões afetadas por guerras, rotas migratórias, campos de refugiados, povos indígenas, minorias esquecidas e comunidades atingidas por crises ambientais. Ele também chama a atenção para os desafios das grandes cidades, marcadas pela solidão e pelas desigualdades, e do ambiente digital, onde muitos jovens não encontram uma linguagem eclesial com a qual se identifiquem.

Escuta, diálogo e corresponsabilidade

Para o padre Lengarin, a missão começa pela escuta, pela partilha da vida e pelo serviço sem discriminação. As obras de caridade, explica, não são estratégias de evangelização, mas manifestações concretas do amor de Deus. O testemunho missionário também exige diálogo inter-religioso, respeito às diferenças e colaboração em iniciativas pela paz, pela educação e pela dignidade humana.

O religioso ressalta ainda a importância da participação dos leigos, que não devem ser vistos apenas como colaboradores de sacerdotes e religiosos, mas como protagonistas da missão na família, no trabalho, na cultura, na política e na economia. Essa participação, afirma, nasce do Batismo e exige formação, escuta e decisões compartilhadas.

Em sintonia com a mensagem do papa Leão XIV para o Dia Mundial das Missões, cujo tema é “Um só em Cristo, unidos na missão”, Lengarin destaca que a comunhão é essencial para o testemunho da Igreja. Nas comunidades internacionais, a diversidade cultural pode fortalecer a unidade e contribuir para a construção de uma única família missionária.

“O amor é a substância da missão”

Ao refletir sobre a força que sustenta a caminhada missionária, o superior-geral aponta a união com Cristo, alimentada pela Palavra de Deus, pela Eucaristia, pela oração e pela fraternidade. A espiritualidade da Consolata também encontra inspiração nos pobres e na presença de Maria Consolata.

“Não somos nós que salvamos o mundo”, afirma o religioso, ao recordar que a missão consiste em permanecer próximo das pessoas e permitir que o amor de Deus chegue até elas por meio de gestos concretos e perseverantes.

Aos jovens, padre Lengarin dirige um convite à superação da indiferença e do medo, incentivando-os a colocar seus dons a serviço dos outros. Segundo ele, a missão não começa necessariamente com uma partida para outro continente, mas com a disposição de se deixar tocar por Cristo e de construir relações de proximidade.

O Instituto dos Missionários da Consolata está presente em quatro continentes e 33 países. Segundo os dados apresentados na entrevista, reúne 948 missionários, entre sacerdotes, irmãos, bispos e estudantes professos.

Fonte: Paolo Affatato, Agência Fides (www.fides.org).

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